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Pós-eleições na Dinamarca. Primeira-ministra Mette Frederiksen apresenta demissão ao rei
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, apresentou esta quarta-feira a sua demissão do rei, um dia depois de eleições parlamentares que valeram um declínio significativo para a sua formação política, o Partido Social-Democrata (SPD), anunciou o palácio real em comunicado.
O rei irá reunir-se com os partidos antes das negociações para a formação de um futuro governo de coligação, que se prevê serem complexas. O Partido Moderado (PM), de centro, deverá desempenhar um papel fundamental nestas discussões.
Os líderes partidários vão realizar esta quarta-feira um debate tradicional, seguido de reuniões individuais com o rei, que não tem poderes formais, para sugerir um candidato para uma primeira tentativa de formar governo.A Dinamarca enfrenta agora semanas de negociações para a formação de uma coligação, após as quais parece provável uma coligação de centro-esquerda.
O Partido Social-Democrata de Frederiksen teve na terça-feira as suas piores eleições desde 1903, conquistando apenas 38 lugares no parlamento de 179 lugares – uma queda em relação aos 50 de há quatro anos – no meio das preocupações dos eleitores com a imigração, a crise do custo de vida e o sistema de bem-estar social.
Estas questões de política interna ofuscaram o apoio à postura desafiadora de Frederiksen em relação às repetidas ambições do presidente norte-americano, Donald Trump, de anexar a Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, avançaram à Reuters vários analistas.
As perspetivas de Frederiksen para um terceiro mandato como primeira-ministra não eram excelentes após as desastrosas eleições autárquicas de novembro, quando o seu partido sofreu um rude golpe a nível nacional e perdeu o controlo de Copenhaga pela primeira vez em mais de 100 anos.
A primeira-ministra, de 48 anos, convocou eleições antecipadas no mês passado, na esperança de beneficiar de um “efeito Gronelândia” nas sondagens, em resposta à sua firme atuação face às ameaças de Donald Trump, em janeiro, de invadir o território, em grande parte autónomo, que faz parte do reino da Dinamarca.
Nenhum dos blocos tem maioria
Os Social-Democratas continuam a ser o maior partido da Dinamarca, com 21,9% de apoio, o que significa que Frederiksen é amplamente vista como tendo boas hipóteses de regressar para um terceiro mandato como primeira-ministra, embora após negociações de coligação difíceis e prolongadas.
O bloco de esquerda de Frederiksen conquistou 84 lugares no parlamento, contra 77 dos partidos de direita, e ambos os lados ficaram aquém dos 90 lugares necessários para a maioria.Isto deixa ambos os lados dependentes dos 14 lugares conquistados pelo Partido Moderado, do Ministro dos Negócios Estrangeiros Lars Lökke-Rasmussen, um grupo centrista que poderá tornar-se decisivo nas negociações de coligação.
Desde 2022, Frederiksen lidera uma grande coligação entre os Social-Democratas, o Partido Liberal (centro-direita) e os Moderados. O líder do Partido Liberal, o ministro da Defesa Troels Lund Poulsen, afirmou que já não tem interesse em governar em coligação com Frederiksen.
Mette Frederiksen quer manter-se no cargo
A social-democrata Mette Frederiksen afirmou estar "pronta para reassumir" o cargo de primeira-ministra da Dinamarca, apesar da queda significativa do seu partido, nas quais o bloco de esquerda obteve a maioria dos votos, mas não a maioria absoluta.
"Estávamos à espera de perder terreno, o que é normal numa terceira eleição", reconheceu Frederiksen, que lidera o governo desde 2019. "É claro que lamento não termos obtido mais votos."
Mette Frederiksen frisa que continua pronta “para assumir as responsabilidades de primeiro-ministro da Dinamarca nos próximos quatro anos”.
"Não há qualquer indicação de que a formação de um governo será fácil", reconheceu Mette Frederiksen
No entanto, para reassumir a chefia do governo, Mette Frederiksen necessita de se envolver em negociações complexas para a formação de uma coligação com outros partidos, incluindo os Moderados do antigo primeiro-ministro e atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, que detém a chave para qualquer futura maioria.
Os Moderados (ao centro) conquistaram 14 lugares e, por isso, desempenharão um papel decisivo nas negociações para a formação do próximo governo, que se prevê serem difíceis.
Nas próximas semanas, o papel de Rasmussen deverá ser crucial. Na véspera das eleições, o líder dos Moderados declarou que não desejava ser primeiro-ministro, cargo que já ocupou duas vezes, mas que gostaria do cargo de "investigador real", que implica auxiliar na formação do governo e geralmente é ocupado pela pessoa que posteriormente se torna primeiro-ministro.
Veterano da cena política, Rasmussen cultiva, no entanto, uma imagem de homem do povo, tendo declarado recentemente à revista Euroman que por vezes usa sabão líquido em vez de pasta de dentes e gosta de fumar cachimbo na cama "se estiver com dores de garganta ou doente".
A líder dos Liberais, que também fazia parte da anterior coligação governamental, afastou uma nova colaboração com a esquerda.
“Existem agora duas opções óbvias para o Partido Liberal: ou conseguimos um governo de centro-direita, ou vamos para a oposição”, disse Troels Lund Poulsen aos seus apoiantes.
À esquerda, o Partido Popular Socialista (SF) tornou-se o segundo maior partido do país pela primeira vez na sua história, com 11,6% dos votos.
“Devemos tentar garantir o estado de bem-estar social, devemos tentar iniciar uma transição ecológica”, disse a sua líder, Pia Olsen Dyhr, à imprensa. “Se não tivermos sucesso, não entraremos no governo; permaneceremos na oposição”.Ascensão da extrema-direita
O Partido Popular Dinamarquês, um partido de extrema-direita, viu o seu movimento anti-imigração, que durante muito tempo teve uma grande influência na política dinamarquesa antes do seu declínio em 2022, triplicar a sua votação, atingindo cerca de 9,1% dos votos.O movimento anti-imigração, que durante muito tempo teve um grande peso na política dinamarquesa antes do seu declínio em 2022, triplicou a sua votação, atingindo cerca de 9,1%.
"Triplicar o número de votos é uma demonstração notável do apoio do povo dinamarquês ao meu partido", disse Morten Messerschmidt, líder do partido, à AFP, saudando o forte desempenho da extrema-direita na Europa.
Segundo Morten Messerschmidt, “agora todos aguardamos para ver o que acontece em França, na Hungria, nos Países Baixos e, claro, no Reino Unido com Nigel Farage. Todos estes são partidos muito bem-sucedidos no nosso setor (extrema-direita), e espero que também tripliquem” a sua votação.
Na Dinamarca, um país próspero com seis milhões de habitantes, a campanha eleitoral centrou-se sobretudo no custo de vida, no Estado de bem-estar social e no ambiente.
O modelo dinamarquês de agricultura intensiva, em particular a criação de suínos, foi central na campanha.
Perante uma forte extrema-direita desde o final da década de 1990, a imigração tornou-se também uma questão crucial, com os sociais-democratas a defenderem um maior rigor nas políticas de imigraçãoMobilização dos gronelandeses
A Gronelândia e as Ilhas Faroé, territórios autónomos do Reino da Dinamarca, têm, cada uma, dois lugares no Parlamento dinamarquês, mandatos que podem influenciar a maioria.
Nas Ilhas Faroé, os eleitores reelegeram os seus dois representantes, um de cada campo político.
"Estas são as eleições mais importantes da história para o Parlamento dinamarquês e para a Gronelândia", declarou à AFP o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen.
Estamos num momento em que uma superpotência está a tentar adquirir-nos, tomar-nos, controlar-nos”, disse Jens-Frederik Nielsen à AFP. “Eles desejam fazer isso, por isso ainda estamos numa situação muito tensa.”
As negociações entre os EUA, Nuuk e Copenhaga ainda estão em curso, mas as tensões abrandaram. A crise, no entanto, parece ter tido um efeito duradouro nos eleitores dinamarqueses.
Embora tenha feito manchetes internacionais, a questão da Gronelândia não dominou as eleições, que foram em grande parte travadas em torno de questões internas, incluindo a promessa dos Social-Democratas de um “imposto sobre a riqueza” para financiar turmas mais pequenas nas escolas primárias, bem como a crise do custo de vida, o endurecimento das já rigorosas leis de imigração da Dinamarca, os direitos dos animais e a água potável.
Os líderes partidários vão realizar esta quarta-feira um debate tradicional, seguido de reuniões individuais com o rei, que não tem poderes formais, para sugerir um candidato para uma primeira tentativa de formar governo.A Dinamarca enfrenta agora semanas de negociações para a formação de uma coligação, após as quais parece provável uma coligação de centro-esquerda.
O Partido Social-Democrata de Frederiksen teve na terça-feira as suas piores eleições desde 1903, conquistando apenas 38 lugares no parlamento de 179 lugares – uma queda em relação aos 50 de há quatro anos – no meio das preocupações dos eleitores com a imigração, a crise do custo de vida e o sistema de bem-estar social.
Estas questões de política interna ofuscaram o apoio à postura desafiadora de Frederiksen em relação às repetidas ambições do presidente norte-americano, Donald Trump, de anexar a Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, avançaram à Reuters vários analistas.
As perspetivas de Frederiksen para um terceiro mandato como primeira-ministra não eram excelentes após as desastrosas eleições autárquicas de novembro, quando o seu partido sofreu um rude golpe a nível nacional e perdeu o controlo de Copenhaga pela primeira vez em mais de 100 anos.
A primeira-ministra, de 48 anos, convocou eleições antecipadas no mês passado, na esperança de beneficiar de um “efeito Gronelândia” nas sondagens, em resposta à sua firme atuação face às ameaças de Donald Trump, em janeiro, de invadir o território, em grande parte autónomo, que faz parte do reino da Dinamarca.
Nenhum dos blocos tem maioria
Os Social-Democratas continuam a ser o maior partido da Dinamarca, com 21,9% de apoio, o que significa que Frederiksen é amplamente vista como tendo boas hipóteses de regressar para um terceiro mandato como primeira-ministra, embora após negociações de coligação difíceis e prolongadas.
O bloco de esquerda de Frederiksen conquistou 84 lugares no parlamento, contra 77 dos partidos de direita, e ambos os lados ficaram aquém dos 90 lugares necessários para a maioria.Isto deixa ambos os lados dependentes dos 14 lugares conquistados pelo Partido Moderado, do Ministro dos Negócios Estrangeiros Lars Lökke-Rasmussen, um grupo centrista que poderá tornar-se decisivo nas negociações de coligação.
Desde 2022, Frederiksen lidera uma grande coligação entre os Social-Democratas, o Partido Liberal (centro-direita) e os Moderados. O líder do Partido Liberal, o ministro da Defesa Troels Lund Poulsen, afirmou que já não tem interesse em governar em coligação com Frederiksen.
Mette Frederiksen quer manter-se no cargo
A social-democrata Mette Frederiksen afirmou estar "pronta para reassumir" o cargo de primeira-ministra da Dinamarca, apesar da queda significativa do seu partido, nas quais o bloco de esquerda obteve a maioria dos votos, mas não a maioria absoluta.
"Estávamos à espera de perder terreno, o que é normal numa terceira eleição", reconheceu Frederiksen, que lidera o governo desde 2019. "É claro que lamento não termos obtido mais votos."
Mette Frederiksen frisa que continua pronta “para assumir as responsabilidades de primeiro-ministro da Dinamarca nos próximos quatro anos”.
"Não há qualquer indicação de que a formação de um governo será fácil", reconheceu Mette Frederiksen
No entanto, para reassumir a chefia do governo, Mette Frederiksen necessita de se envolver em negociações complexas para a formação de uma coligação com outros partidos, incluindo os Moderados do antigo primeiro-ministro e atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, que detém a chave para qualquer futura maioria.
Os Moderados (ao centro) conquistaram 14 lugares e, por isso, desempenharão um papel decisivo nas negociações para a formação do próximo governo, que se prevê serem difíceis.
“Juntem-se a nós. Estamos no centro. Vocês correram para os extremos.”
“Ainda estamos aqui”, disse Løkke Rasmussen aos seus antigos parceiros.
Nas próximas semanas, o papel de Rasmussen deverá ser crucial. Na véspera das eleições, o líder dos Moderados declarou que não desejava ser primeiro-ministro, cargo que já ocupou duas vezes, mas que gostaria do cargo de "investigador real", que implica auxiliar na formação do governo e geralmente é ocupado pela pessoa que posteriormente se torna primeiro-ministro.
Veterano da cena política, Rasmussen cultiva, no entanto, uma imagem de homem do povo, tendo declarado recentemente à revista Euroman que por vezes usa sabão líquido em vez de pasta de dentes e gosta de fumar cachimbo na cama "se estiver com dores de garganta ou doente".
A líder dos Liberais, que também fazia parte da anterior coligação governamental, afastou uma nova colaboração com a esquerda.
“Existem agora duas opções óbvias para o Partido Liberal: ou conseguimos um governo de centro-direita, ou vamos para a oposição”, disse Troels Lund Poulsen aos seus apoiantes.
À esquerda, o Partido Popular Socialista (SF) tornou-se o segundo maior partido do país pela primeira vez na sua história, com 11,6% dos votos.
“Devemos tentar garantir o estado de bem-estar social, devemos tentar iniciar uma transição ecológica”, disse a sua líder, Pia Olsen Dyhr, à imprensa. “Se não tivermos sucesso, não entraremos no governo; permaneceremos na oposição”.Ascensão da extrema-direita
O Partido Popular Dinamarquês, um partido de extrema-direita, viu o seu movimento anti-imigração, que durante muito tempo teve uma grande influência na política dinamarquesa antes do seu declínio em 2022, triplicar a sua votação, atingindo cerca de 9,1% dos votos.O movimento anti-imigração, que durante muito tempo teve um grande peso na política dinamarquesa antes do seu declínio em 2022, triplicou a sua votação, atingindo cerca de 9,1%.
"Triplicar o número de votos é uma demonstração notável do apoio do povo dinamarquês ao meu partido", disse Morten Messerschmidt, líder do partido, à AFP, saudando o forte desempenho da extrema-direita na Europa.
Segundo Morten Messerschmidt, “agora todos aguardamos para ver o que acontece em França, na Hungria, nos Países Baixos e, claro, no Reino Unido com Nigel Farage. Todos estes são partidos muito bem-sucedidos no nosso setor (extrema-direita), e espero que também tripliquem” a sua votação.
Na Dinamarca, um país próspero com seis milhões de habitantes, a campanha eleitoral centrou-se sobretudo no custo de vida, no Estado de bem-estar social e no ambiente.
O modelo dinamarquês de agricultura intensiva, em particular a criação de suínos, foi central na campanha.
Perante uma forte extrema-direita desde o final da década de 1990, a imigração tornou-se também uma questão crucial, com os sociais-democratas a defenderem um maior rigor nas políticas de imigraçãoMobilização dos gronelandeses
A Gronelândia e as Ilhas Faroé, territórios autónomos do Reino da Dinamarca, têm, cada uma, dois lugares no Parlamento dinamarquês, mandatos que podem influenciar a maioria.
Nas Ilhas Faroé, os eleitores reelegeram os seus dois representantes, um de cada campo político.
E dois novos membros foram eleitos para o Parlamento dinamarquês para representar a Gronelândia, em plena crise em que o presidente dos EUA, Donald Trump, procura anexar o território autónomo dinamarquês.
Na capital da Gronelândia, Nuuk, foram registadas longas filas junto às mesas de voto, assim que as urnas abriram.
Estamos num momento em que uma superpotência está a tentar adquirir-nos, tomar-nos, controlar-nos”, disse Jens-Frederik Nielsen à AFP. “Eles desejam fazer isso, por isso ainda estamos numa situação muito tensa.”
As negociações entre os EUA, Nuuk e Copenhaga ainda estão em curso, mas as tensões abrandaram. A crise, no entanto, parece ter tido um efeito duradouro nos eleitores dinamarqueses.
Embora tenha feito manchetes internacionais, a questão da Gronelândia não dominou as eleições, que foram em grande parte travadas em torno de questões internas, incluindo a promessa dos Social-Democratas de um “imposto sobre a riqueza” para financiar turmas mais pequenas nas escolas primárias, bem como a crise do custo de vida, o endurecimento das já rigorosas leis de imigração da Dinamarca, os direitos dos animais e a água potável.
O imposto sobre a riqueza, uma taxa de 0,5% sobre os ativos detidos por indivíduos com um valor superior a 25 milhões de coroas dinamarquesas (cerca de três milhões trezentos e quarenta e seis mil euros), foi bem recebido por muitos à esquerda, mas desagradou aos magnatas da Dinamarca.
c/ agências